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Em Salvador, capital baiana, existe um endereço onde você pode entrar procurando uma lembrança da Bahia e sair carregando também um pedaço da história da cidade.
À beira da Baía de Todos-os-Santos, na Cidade Baixa, o Mercado Modelo faz parte do cotidiano e do imaginário de Salvador há mais de um século. Hoje, o visitante encontra artesanato, sabores baianos e uma localização privilegiada, pertinho de outros cartões-postais.
No entanto, sua origem foi bem diferente: antes de se tornar parada obrigatória de quem viaja à capital baiana, ele nasceu para abastecer a cidade.
Por sinal, a trajetória teve comércio intenso, saveiros chegando pelo mar, mudanças de endereço e incêndios que obrigaram o espaço a praticamente recomeçar mais de uma vez.
Acompanhe a leitura!
Mentalmente volte para Salvador de 1912. A Cidade Baixa era uma região fundamental para a circulação de mercadorias, trabalhadores e embarcações. Era preciso organizar melhor o abastecimento e concentrar em um só lugar produtos que faziam parte da vida cotidiana.
Foi nesse contexto que o Mercado Modelo foi inaugurado, instalado entre a Alfândega e o Largo da Conceição. Ali se encontrava um pouco de tudo: hortifrutigranjeiros, cereais, animais, charutos, cachaças e artigos ligados ao Candomblé.
A localização não era por acaso. Próximo ao mar, o comércio era abastecido também pela Rampa do Mercado, utilizada pelos saveiros que atravessavam a Baía de Todos-os-Santos.
Imagine por alguns segundos essa paisagem: barcos chegando, mercadorias sendo descarregadas, vendedores negociando e moradores circulando em busca do que precisavam para casa.
Bem diferente das compras turísticas de hoje, não é? Sua função original era essencialmente essa. Ainda assim, aquele centro de abastecimento acabaria se transformando em um lugar profundamente ligado à identidade de Salvador.
A trajetória desse espaço não foi tranquila. Ao longo das décadas, incêndios atingiram suas instalações em diferentes momentos e ajudaram a mudar definitivamente seu destino.
Há registros de grandes ocorrências em 1917, 1922, 1943, 1969 e 1984. O incêndio de 1922 causou danos severos e, após a recuperação do edifício, sua pintura passou do amarelo e vermelho para o verde. Surgiu daí um apelido curioso: “Tartaruga Verde”.
O episódio decisivo, porém, aconteceu em 1º de agosto de 1969. O fogo foi tão destrutivo que tornou inviável reconstruir o imóvel original. Os escombros tiveram de ser demolidos e o comércio precisou encontrar um novo endereço.
Foi então que o espaço passou por uma das maiores viradas de sua história.
A partir de fevereiro de 1971, os comerciantes ocuparam o edifício da antiga Alfândega de Salvador, uma construção neoclássica de 1861 situada na Praça Visconde de Cairu. É nesse prédio histórico que o visitante encontra a atração atualmente.
Nem mesmo a mudança encerrou a relação do local com o fogo: em janeiro de 1984, outro incêndio provocou uma ampla reforma. O edifício foi recuperado e reinaugurado ainda naquele ano.
Ao longo de mais de cem anos, as funções mudaram, o endereço mudou e até a relação da cidade com a região portuária se transformou. Ainda assim, o comércio continuou funcionando como ponto de encontro entre pessoas, produtos e tradições.
Hoje, entrar ali é conhecer uma Salvador diferente daquela das praias. O visitante circula entre peças de artesanato, roupas, objetos decorativos, lembranças, instrumentos, temperos e outros produtos ligados à cultura baiana.
Há também algo especial do lado de fora. O prédio fica diante da Baía de Todos-os-Santos e muito próximo do Elevador Lacerda. Ou seja: você pode sair das compras, olhar para o mar e, poucos minutos depois, estar subindo em direção à Cidade Alta e ao Centro Histórico.
Dessa maneira, podemos dizer que é uma localização que praticamente monta um roteiro sozinha. Talvez seja esse encontro entre passado e presente que explique por que o Mercado Modelo continua tão associado à imagem de Salvador.
O antigo centro de abastecimento mudou de função, mas permanece fazendo aquilo que sempre fez muito bem: reunir gente.
Aqui entra uma recomendação importante: não visite com pressa.
É claro que muita gente chega procurando lembrancinhas, e opções não faltam. Contudo, vale caminhar pelos corredores com curiosidade, conversar com os comerciantes e observar os diferentes trabalhos antes de decidir o que levar para casa.
O passeio também pode ser combinado com uma pausa para experimentar a culinária baiana nos restaurantes da região. Depois, continue pela Praça Visconde de Cairu e aproveite a proximidade com algumas das atrações mais conhecidas da capital.
O Elevador Lacerda está logo ali e conecta a Cidade Baixa à Cidade Alta. Do outro lado, você pode seguir para a Praça Tomé de Sousa e, caminhando mais um pouco, chegar ao Pelourinho.
Com isso, o Mercado Modelo funciona muito bem como ponto de partida para um dia dedicado ao centro de Salvador.
Reserve algumas horas para andar sem tanta rigidez de roteiro. Às vezes, a melhor lembrança não é aquela que você planejou comprar, mas a peça encontrada por acaso em uma banca, o sabor experimentado pela primeira vez ou a conversa com alguém que conhece aquele espaço há décadas.
Se a vontade de conhecer Salvador aumentou até aqui, talvez esteja na hora de transformar curiosidade em viagem.
A Gontijo oferece passagens de ônibus para Salvador, e a compra pode ser feita online. Basta informar sua cidade de origem, escolher a data e consultar as opções disponíveis para começar a organizar os dias na capital baiana.
Ao chegar, vale separar um período para explorar a Cidade Baixa e o Centro Histórico. Comece pela região da Praça Visconde de Cairu, caminhe pelo comércio, aproveite a vista para a baía e depois siga para o Elevador Lacerda.
A partir dali, Salvador abre novas possibilidades: Pelourinho, igrejas, museus, restaurantes e ruas que parecem contar uma história a cada esquina.
Você nem precisa voltar para casa de mãos vazias. Entre uma lembrança da Bahia e outra, pode acabar levando consigo algo que não cabe na mala: a memória de ter conhecido um lugar que acompanhou as transformações de Salvador por mais de cem anos.










